Conservas.

Naqueles dias em que a preguiça é mais forte do que a fome, as conservas são a minha tábua de salvação! Desengane-se quem pensa que lá por ter um blogue e gostar de cozinhar estou sempre a banquetear-me. Há alturas em que não me apetece mexer uma palha e até abrir uma lata de atum é um sacrificio. Enlatado não soa lá muito bem, mas se experimentarmos combinações novas podemos surpreender-nos.

"Tostas com Atum, Beterraba e Ovos de Codorniz"

Nível de dificuldade:

Muito fácil

Tempo de elaboração:

20 min.

 

Ingredientes:

Pão de centeio

Atum em conserva (cinco pimentas)

Beterraba em vinagre

Ovos de codorniz

Doce de laranja amarga

Doce de pimento assado

Mirtilos

Vinagre

Sal

 

Preparação:

Parta o pão em fatias de aproximadamente um centímetro. Coloque um tacho com água ao lume. Parta os ovos para uma tijela com cuidado de não rebentar a gema. Junte um fio de vinagre. Assim que a água começar a borbulhar, sem que chegue a ferver, junte cerca de 100ml de vinagre e mexa com uma varinha de arames utilizando movimentos circulares. Adicione os ovos de um em um e deixe cozer um a dois minutos retirando o excesso de claras com uma escumadeira. Tire os ovos com cuidado e deixe escorrer sobre um papel absorvente. Aqueça ligeiramente o pão e corte as fatias ao meio na diagonal, formando um triângulo. Distribua o atum em metade das mesmas e nas restantes coloque uma colher de beterraba e sobre ela os ovos, alternando os escalfados com os estrelados. Polvilhe com sal e pimenta. Por último ponha uma colher de café de doce á sua escolha sobre os ovos escalfados e um mirtilo nas tostas de atum.

Nota: Nesta receita utilizei o atum "Bom Petisco 5 Pimentas"  que pode perfeitamente ser substituido por outro a seu gosto. O mesmo acontece com os doces que podem variar de acordo com o gosto de cada um, no entanto utilizei doce de pimento assado, usei o de laranja amarga.

Bulhão Pato

No século XIX toda a Europa, talvez movida pelo despertar da cozinha francesa, se interessava na gastronomia e foram muitos os autores que publicaram ou colaboraram nalguma coletânea de receitas. Em França Alexandre Dumas (Filho), escrevia romances, peças de teatro e ainda um livro de receitas ao mesmo tempo que organizava festas opulentas. No país vizinho, Emília Pardo Bazán, escritora e aristocrata reunia a compilação de receitas “Cozinha Espanhola Antiga” tentando assim impedir que caíssem no esquecimento. Por sua vez em Portugal um grupo de artistas e escritores tais como Raphael Bordallo Pinheiro, Ramalho Ortigão, Luciano Cordeiro ou Bulhão Pato, entre outros, colaboraram com o editor P. Plantier na sua obra “O Cozinheiro dos Cozinheiros”. Raimundo António de Bulhão Pato autor de prosa e poesia era também um amante de caçadas, viagens e da boa mesa e colaborou nesta obra com quatro receitas, a “Açorda Andaluza” o “Arroz Opulento”, as “Perdizes à Castelhana” e a “Lebre à Bulhão Pato”. No entanto o autor é recordado por outra receita com a qual o cozinheiro do Restaurante Estrela de Ouro no bairro da  Graça em Lisboa, seu contemporâneo lhe quis prestar homenagem, as "Ameijoas à Bulhão Pato".

"Cogumelos à Bulhão Pato"

Nível de dificuldade:

Muito fácil

Tempo de elaboração:

20 min

 

4 pessoas

 

Ingredientes:

350g de cogumelos Portobello

4 dentes de alho picados

100ml de vinho branco

1 raminho de coentros

Azeite

Sal 

Pimenta

1 pão tipo Mafra

 

Preparação:

Corte os cogumelos em lâminas finas. Pique os coentros e reserve. Num recipiente com o fundo coberto de azeite aloure os alhos mexendo sempre para que não se queimem. Seguidamente junte os cogumelos e envolva. Salteie-os durante cerca de dez minutos. Junte o vinho, deixe reduzir ligeiramente e tempere com sal e pimenta. Finalmente junte o sumo de meio limão e polvilhe com os coentros picados. Sirva acompanhado de pão torrado.

Couves-de-Bruxelas

Nunca me senti especialmente atraído pelas couves-de-bruxelas! Têm uma forma engraçada mas um sabor característico que não agrada a todos. Acontece-me o mesmo com os patés que como esporadicamente, mas esta combinação de couves salteadas com um molho de paté e vinho do Porto é uma entrada interessante.

"Couves de Bruxelas Salteadas, com Paté e Vinho do Porto"

Nível de dificuldade:

Muito fácil

Tempo de elaboração:

30 minutos

 

4 pessoas

 

Ingredientes:

500g de couves-de-bruxelas

50g de paté de pato

1 cebola grande

50 ml de vinho do porto

1 c/s de açúcar

Água qb

Azeite

Sal

Pimenta

Preparação:

Numa panela aqueça a água, enquanto prepara o molho. Pique a cebola e refogue com uma colher de sopa de azeite até que esta fique translucida. Adicione o paté cortado em pedacinhos e junte o vinho do porto. Mexa até desfazer completamente. Triture com a varinha mágica adicionando uma colher de sopa de açúcar. Tempere com sal e pimenta a gosto. Coza as couves-de-bruxelas durante dez minutos, escorra e corte-as ao meio. Aqueça duas colheres de sopa de azeite numa frigideira e coloque as couves com a parte cortada para baixo dando-lhes a volta de vez em quando que para que fiquem ligeiramente douradas. Tempere com um pouco de sal e pimenta. Sirva imediatamente.

"Salada de Cuscuz com Romã e Hortelã"

Nível de dificuldade:

Muito fácil

Tempo de elaboração:

 15 min.

 

4 pessoas

 

 

Ingredientes:

240g  de cuscuz

2 c/s de azeite

Sumo de 1 limão

Sal

Pimenta

240 ml  de água

2 romãs

1 maçã royal gala

100g de pinhões

Hortelã

 

Preparação:

Prepare um vinagrete com o sumo de limão, o sal, a pimenta e uma colher de sopa de azeite e misture bem. Aqueça a água até começar a ferver. Junte a água aos cuscuz e tape com  plástico aderente e deixe repousar cerca de seis minutos. Entretanto descasque as romãs e separe os bagos. Destape o cuscuz, adicione uma colher de sopa de azeite  e mexa com um garfo até soltar completamente. Coloque os pinhões numa frigideira e toste ligeiramente, mexendo  para que não se queimem. Descasque a maçã e corte em pedaços finos, cerca de 4 milímetros. Misture as frutas e os pinhões com os cuscuz. Pique as folhas de hortelã e polvilhe por cima. Regue com o vinagrete, e decore com um raminho de hortelã.

Passear na neve

Para quem não está acostumado, sair a passear quando começam a cair os primeiros flocos de neve é uma experiencia gira e ainda mais agradável à medida que o Natal se aproxima. Os mercados de artesanato são uma constante com as mais diversas coisas desde as decorações às comidas onde podemos escolher entre doces e salgados ou bebidas quentes. Se o chocolate é bom então o vinho quente aromatizado com especiarias e frutas é do melhor para aquecer a alma e o espirito!

"Vinho Quente"

Nível de dificuldade:

Muito fácil

Tempo de elaboração:

10 min + 60 min

 

Ingredientes:

1 litro de vinho tinto

1 limão

1 laranja

2 paus de canela

3 cravinhos

6 colheres de sopa de açúcar mascavado

1 baga de cardamomo (opcional)

Preparação:

Aqueça o vinho em lume brando, sem deixar ferver. Junte as cascas de laranja e limão, a canela, os cravinhos, o açúcar e o cardamomo. Mexa para desfazer o açúcar. Deixe repousar tapado aproximadamente uma hora. Passe por um coador e sirva quente.

Nota: Abra a baga do cardamomo e utilize apenas as sementes do interior. Aconselho que comece apenas por algumas pois tem um sabor forte que pode camuflar os outros.

Terrines

As terrines têm a sua origem em França e devem o seu nome ao recipiente onde são preparados. Neste caso optei por utilizar uma forma tipo bolo inglês. Podem ser preparados com qualquer coisa, desde carne a vegetais, passando como é evidente pelo peixe. Foi uma ideia que me surgiu para a consoada, mas para acertar a receita foram necessárias várias experiências até que dei com o ponto. Um prato que se cozinha com antecedência e pode ser servido tanto como entrada ou prato principal mas que acima de tudo é muito simples e não requer muito tempo a preparar!

"Terrine de Salmão"

Nível de dificuldade:

Médio

Tempo de elaboração:

30 min + 4 horas

6 pessoas

 

Ingredientes:

500g de salmão fumado

300g de queijo de barrar (magro)

150g de queijo fresco batido

6g de cebolinho picado

Espargos verdes

Sal

Pimenta

125ml de leite

10g de gelatina em pó

Pelicula aderente

1 forma retangular com 20x10 cm

Preparação:

Cubra o interior da forma com película aderente deixando suficiente película por fora da mesma para cobrir e ajudar a desenformar. Seguidamente forre o fundo e os laterais com salmão. Corte a ponta dos talos dos espargos, ou se preferir dobre pela base até que se parta. Coloque numa panela com água a ferver e coza dez minutos. Retire e escorra. Bata o queijo de barrar com o queijo fresco batido e tempere com sal e pimenta a seu gosto. Junte o cebolinho picado e envolva. Hidrate a gelatina com o leite, cerca de dois minutos e aqueça  a lume brando, mexendo sempre para não ferver, até que a gelatina se desfaça completamente.  Retire do lume e continue a mexer até arrefecer ligeiramente. Junte ao preparado de queijo e envolva bem. Coloque uma camada sobre o salmão, e cubra com os espargos. Volte a colocar outra camada e volte a colocar espargos. Finalmente cubra com o resto do creme. Tape com salmão dobrando as pontas que “saíam” da forma e cubra com outra fatia de salmão. Cubra com a película aderente e leve ao frigorífico cerca de quatro horas, colocando um peso sobre a “terrine”, por exemplo um pacote de leite.

Bolinhos falafel no forno!

Curiosamente nas viagens que fiz pela Turquia nunca provei os falafel. Talvez os meus amigos pensassem que era algo demasiado simples ou não fizessem parte do seu receituário. Invariavelmente as refeições iam dar no frango ou borrego, por vezes algum peixe e outros pratos tradicionais, muitos deles pelo menos em Kahramanmarastemperados com uma boa dose de picante... A primeira vez que os provei foi mesmo num Kebab em Espanha e há relativamente pouco tempo num restaurante marroquino em Badajoz. A simplicidade deste prato é surpreendente e torna-se muito mais leve se for no cozido no forno em vez de frito.

"Falafel com Molho de Iogurte"

Nível de dificuldade:
Muito Fácil
Tempo de elaboração:
20 min + 30 min 

4 pessoas

 

Ingredientes:

400g de grão cozido

1 cebola média

2 dentes de alho

1 raminho de salsa

1 raminho de coentros

Colorau

Sal

Pimenta

Pão ralado qb.

 

1 iogurte natural

2 colheres de chá de mel

1 colher de chá de mostarda ancienne

 

Preparação:

Lave e escorra o grão. Pique a cebola e os alhos. Coloque no robot de cozinha e triture. Seguidamente adicione três colheres de salsa fresca picada e a mesma quantidade de coentros. Junte aos restantes ingredientes com uma colher de chá de pimentão doce, uma pitada de sal e pimenta. Volte a triturar até obter uma pasta fina. Retire e coloque numa tijela, retifique os temperos e adicione pão ralado envolvendo bem até formar uma pasta que possa ser moldada. Forme bolas como se estivesse a fazer almondegas e esmague ligeiramente. Coloque num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve ao forno a 180 graus durante quinze minutos. Retire, vire os falafel e volte a colocar no forno durante dez a quinze minutos ou até que estejam dourados. Entretanto prepare o molho. Coloque o iogurte natural numa taça, adicione o mel, a mostarda ancienne e misture bem. Sirva enquanto estão quentes.

Nota: Se preferir pode fritar os falafel em óleo bem quente, o tempo suficiente para que fiquem dourados. Coloque sobre papel absorvente para retirar o excesso de gordura e sirva com uma salada.

No bar do Vaticano

Quem me havia de dizer que era no Vaticano que ia provar beringela com queijo. Nada de coisas sofisticadas, uma sandes de beringela grelhada com uma fatia de um queijo tipo gouda. Não estava mau porque achei piada à combinação e ainda repeti algumas vezes em casa. Já a comi de diferentes formas, talvez a mais simples quando era miúdo e a minha avó experimentou fritá-la. Foi num bar de Sevilha onde comi beringela frita com mel e gostei, ou não fosse eu guloso! Decidi experimentar em tempura acompanhada com queijo de cabra e mel e está de comer e chorar por mais!

"Beringelas com Queijo de Cabra e Mel"

Nível de dificuldade:

Muito fácil

Tempo de elaboração

30 min + 30 min

 

4 pessoas

 

Ingredientes:

2 beringelas

100 g de farinha sem fermento

100 g de Maizena

225 ml de cerveja

Sal

180g de queijo de cabra

Mel de cana

Óleo

Azeite

Vinagre

1 alface

 

Preparação:

Lave bem as beringelas e corte em rodelas de cinco milímetros de espessura. Coloque num recipiente com água e um pouco de sal durante cerca de meia hora para perderem o sabor amargo. Escorra e seque bem com papel absorvente. Prepare o polme juntando as farinhas e a cerveja bem fria. Bata com uma vara de arames e tempere com sal. Passe as rodelas de beringela pelo polme e frite de três en três no óleo bem quente até que fiquem douradas, cerca de dois a três minutos. Coloque-as sobre papel absorvente para absorver o excesso de gordura. Corte a alface em juliana, tempere com um pouco de azeite, vinagre e sal. Espalhe no prato formando uma cama sobre a qual vai colocar a beringela. Corte círculos de queijo de cabra cinco milímetros de espessura e disponha um sobre cada rodela. Regue com um fio de mel. Sirva imediatamente.