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8. sep., 2017

Até há bem pouco desconhecia que no país vizinho existisse uma “Real Academia de Gastronomia”, uma instituição publica que pretende preservar e estudar a cultura gastronómica espanhola e só me apercebi porque alguns dos seus membros foram convidados para um programa do “MasterChef” Espanha. Dias ou semanas depois um amigo deu-me a indicação do livro “Triclinium”, romance sobre a vida de Marco Apício político e gastrónomo da Roma antiga. Apicio lembrava-me qualquer coisa e como não podia deixar de ser estava relacionado com gastronomia, a revista “Apicius”, era o nome de restaurantes… Fiz uma pesquisa sobre a autora e optei por dois dos seus livros, o “Triclinium” que ainda não tive oportunidade de ler e “Grandes Maestros de la História de la Gastronomia”. O titulo deste ultimo impõe respeito e pensar que ia ler biografias ou artigos sobre os maiores gastrónomos parecia aborrecido. Mesmo assim arrisquei e o excelente trabalho de pesquisa e capacidade de resumo da autora Almudena Villegas fazem que a leitura seja agradável. Algumas dessas personagens são nossas conhecidas e associamo-las com a gastronomia ou não e outros foram para mim uma agradável descoberta! Como a autora refere teve de escolher entre muitos e fazer referencia apenas a alguns deles deixando bastantes para trás mas não esquecidos. Na minha opinião faltam nomes portugueses como Domingos Rodrigues, cozinheiro da casa real que escreveu em 1680 “A Arte de Cozinha”, várias vezes reeditado, mais recentemente pela Relógio de Água, em 2017. António Maria de Oliveira Bello “Olleboma”, estudioso, politico e colaborador de diversos jornais e fundador da Sociedade Portuguesa de Gastronomia. Autor da “Culinária Portuguesa”, primeira edição de 1928, considerado por José Quitério “a auntêntica Biblia da nossa cozinha regional”. Manuel Ferreira, que trabalhou durante anos como chefe de cozinha no Restaurante Tavares “Rico”, Lisboa; Palácio Hotel do Vidago; Hotel Avis, Lisboa; Hotéis Palácio do Estoril e Monte-Estoril; Hotel Polana em Moçambique, e ainda no paquete “Santa Maria” e escreveu “A Cozinha Ideal” em 1933. Bertha Rosa Limpo, cantora lirica, escritora e empresária e a autora do “Livro de Pantagruel”, quanto a mim a nossa biblia culinária. E tantos outros que fazem parte de uma história mais recente!

28. ago., 2017

Em 1782 quando Antoine Beauvilliers abriu o primeiro restaurante em Paris, “La Grand Taverne de Londres”. Salões luxuosos, ementa variada, empregados bem treinados... e claro preços pouco aptos para qualquer um. Nos anos que se seguiram esta ideia espalhou-se por toda a França e o resto da Europa. Tornou-se algo tão banal que não concebemos que possam deixar de existir. Há para todos os gostos e carteiras, desde o humilde de bairro ao requintado restaurante premiado com alguma estrela Michelin, confesso que ainda não tive essa experiencia gastronómica. De vez em quando surgem pequenos restaurantes que apostam numa boa gestão e qualidade dos produtos. Encontrei isso na “Sala de Corte” em Lisboa. Apercebi-me da existência do mesmo pelos “likes” de dois amigos que são de “bom garfo”. De vez em quando via alguma publicação e sentia-me tentado. Numa viagem a Lisboa estacionei o automóvel e meti-me no metro com destino ao Cais do Sodré. Sabia que o restaurante estava logo ali detrás da Avenida 24 de Julho, na rua da Ribeira Nova, nº 28. Arriscava um pouco porque era hora de almoço e não tinha feito reserva, mas em caso de necessidade sempre podia ir ao Mercado da Ribeira, mas não foi preciso. O restaurante é relativamente pequeno, uma fila de mesas do lado esquerdo e um balcão corrido do lado direito. Instalaram-nos provisoriamente ao balcão e foi o melhor que podia acontecer. Tanto assim que mesmo quando nos perguntaram se queríamos ir para uma mesa que tinha ficado livre decidimos continuar no mesmo sítio. A atividade que havia do outro lado do balcão era qualquer coisa digna de se ver. A forma como pelo menos quatro cozinheiros se moviam num espaço relativamente reduzido, sem se atropelarem uns aos outros e a possibilidade de ver como confecionavam os pratos valia a pena. A ementa aposta na carne de vaca de boa qualidade com uma maturação de vinte e um dias que  para além de a tornar mais macia realça ainda o seu sabor. Os acompanhamentos e os molhos podem ser escolhidos de uma lista de oito variedades cada. Tudo neste pequeno restaurante foi pensado ao pormenor, desde as entradas às sobremesas passando como não podia deixar de ser pelas bebidas. Decoração simples e bem conseguida e um serviço impecável! É preciso dizer mais?

Sala de Corte

2. jul., 2017

Subir a Calçada da Glória por volta do meio-dia, no mês de Maio é uma boa atividade para começar um domingo mais a mais se tiver uma mochila carregada de livros. Mas quando o que nos move é a ideia de um bom pequeno-almoço na Padaria Portuguesa do Largo do Camões conseguimos forças para isso e mais! Caminhar na cidade relativamente cedo dá-nos a rara oportunidade de ver coisas que em condições normais nos iriam passar despercebidas ou dificilmente poderíamos registar com a máquina fotográfica. Ver os edifícios na totalidade sem automóveis ou autocarros que passam precisamente quando está a fazer uma foto, olhar para as montras e jogar com os reflexos enquanto brincamos com a objetiva... A primeira montra que me chama a atenção é a dos Gellati di Chef com uns cones de gelado enormes feitos em lã de rede de Esmirna. Logo a seguir a loja da Claus Porto, uma fábrica de sabonetes cujo cartão-de-visita é um sabonete de cerca de um metro pendurado na montra, uma reprodução perfeita dos sabonetes que usávamos para o banho. Com este cartão-de-visita associado à simpatia da funcionária a visita à loja é obrigatória. O espaço era uma antiga farmácia cujos móveis originais foram reaproveitados e muito bem, como expositores dos vários tipos de sabonetes cremes e perfumes da marca. Continuamos a andar sem muita pressa para ser sincero, apesar da hora a fome ainda não aperta, e chego à Padaria Portuguesa, que como seria de esperar está completamente cheia àquela hora. A perspetiva de me ver com um tabuleiro de comida nas mãos e sem lugar para sentar não é a mais agradável e decido procurar outro sítio sem dar qualquer possibilidade argumentar. Talvez outra pastelaria que vira quando descia a rua da Misericórdia, mas também está cheia e vejo como tábua de salvação a lojinha que vira no outro lado da rua e que me chamou a atenção, a Chocolataria Equador.

Parece uma loja pequena mas o espaço estreito é compensado em comprimento. Dividida com três arcos de tijolo descoberto consegue criar diferentes espaços. Ao entrar somos recebidos por estantes e expositores de chocolates e tabletes magnificamente arrumados. Até aí não parece nada extraordinário mas quando avistamos o balcão vitrina com uma variedade tremenda de bombons de diferentes sabores, seguidos de expositores em acrílico com tabletes de chocolate com frutos secos e tudo o que se possa imaginar… Mesmo ao fundo da loja uma pequena zona de cafetaria onde tomar café ou chocolate. Não era propriamente a ideia que tinha de um bom pequeno-almoço, mas era a ultima hipótese e aquele chocolate quente estava mesmo bom! Enquanto o chocolate arrefecia aproveitei para visitar a loja e comprar alguns chocolates. A variedade complicava a escolha e atendendo ao calor optei pelas barrinhas tendo tido a sorte de escolher o chocolate com caramelo explosivo. É aquilo que poderia definir como uma surpresa para os sentidos quer em termos de sabor como de sensações. É de destacar a disponibilidade do funcionário para explicar a origem da marca e responder às dúvidas sobre os chocolates. O único senão é que terá de fazer uma lista dos chocolates e bombons se pretende prová-los todos. E desengane-se se pensa que não vai visitar frequentemente a Chocolataria!

19. may., 2017

Um ano! Quem diria. Nem eu acreditava que fosse durar tanto tempo. Aparentemente a coisa é simples, escreves umas receitas e já está. Mas para fazer as coisas como deve ser tenho que prepará-las, provar, fotografar, etc. As primeiras eram receitas de família, coisas que gostava e outras que redescobri. Depois tentei ser criativo, pelo menos para mim, escolhendo alguns ingredientes que normalmente não utilizava, fazer misturas, etc. Nada que se possa comparar com aquilo que vemos nos concursos de culinária!

Aumentei progressivamente o número de receitas semanais, de acordo com as limitações de tempo é que isto de passar as noites ou os fins-de-semana a cozinhar… Por vezes as coisas não corriam como esperava e lá tinha de repetir a receita ou a foto. Bolos que se pegavam na forma e não saiam inteiros, acidentes ao retirar do forno, ingredientes que não combinavam… Podem imaginar a “zanga” que me dava. Mas de uma forma geral correu bem e diverti-me. Em termos de apresentação de pratos aprendi, voltei a encontrar inspiração na composição e na fotografia e iniciei novos projetos. E muito importante  também, partilhei estes pratos com a família e os amigos!

11. may., 2017

Gosto de ler! Cresci numa época em que a televisão emitia apenas da uma da tarde até cerca das três e mais tarde das seis à meia-noite. Não havia computadores, telemóveis e outros “enredos” e restava brincar, fazer algum tipo de atividade ou simplesmente ler.

Se já lia bastante ainda o fiz mais quando descobri a biblioteca da fundação Calouste Gulbenkian! Viajava no tempo e no espaço vivendo mil aventuras ao lado das personagens, como se fosse um deles. Ainda hoje tenho esse “vício”  e continuo a preferir livros impressos apesar dos e_readers serem mais práticos e sofisticados.

Numa das muitas visitas que faço habitualmente às livrarias, vi um livro que me chamou a atenção quer pelo colorido da capa quer pelo nome, “Amigas entre fogones”, na edição em português “Amor e guloseimas”. A autora, Kate Jacobs, não me era estranha e ao ver a sua biografia constatei que lera outro livro dela há algum tempo. Este, pelo resumo impresso na contracapa, prometia!

Acabou meio esquecido debaixo de outros livros e revistas até que o voltei a encontrar e decidi começar a lê-lo, ainda que um bocadinho reticente... Mas fui imediatamente cativado pela história. Imagine-se uma estrela da televisão americana, uma conhecida apresentadora de programas culinários tem a sua estabilidade profissional ameaçada pela quebra do nível de audiências. Como se isso não fosse suficiente tudo indica que pode ser substituída por uma apresentadora mais nova e de físico exuberante. Durante uns dias vivi momentos que variaram entre os hilariantes quando a autora descrevia situações fora de controle durante as emissões do programa ou mesmo de ternura enquanto se fortaleciam ou quebravam vínculos de amizade. Curiosamente apesar de não se fazer qualquer referencia a pessoas reais acabei por encontrar algumas semelhanças com uma conhecida apresentadora e referencias veladas a outros chefs. 

É o género de livro que desejamos continua a ler pela dose de boa disposição que nos transmite. Leitura recomendada para descontrair!