A tarte que não esqueci!

Há coisas que por qualquer razão nos marcam e esta foi uma delas. Lembro com saudade as noites de sábado quando a minha mãe nos presenteava com uma tarte de pêra.

Durante algum tempo foi assim. Depois deixou de haver tarte e quando perguntava porque não a fazia, a resposta é que faltava não sei que ingrediente.

Passaram muitos mas muitos anos e de repente veio à minha mente a imagem da tarte, o desejo de a fazer e comecei a procurar, primeiro na internet, mas  nenhuma correspondia com as minhas recordações. Depois uma espreitadela no livro de receitas, pensando que não iria conseguir e... hei-la!

Tarte de Pêra

Base

Ingredientes:

160 gr Farinha

75 Manteiga

50 gr Açúcar

1 Gema de Ovo

1 Colher de Café de Fermento

800 gr Pêras Descascadas

Preparação:

Sobre a mesa faça um monte com a farinha e abra uma cavidade no centro. Deite a margarina o açúcar e o fermento. Amasse bem, junte a gema e continue a amassar com as pontas dos dedos. 

Envolve-se tudo até conseguir uma massa areada que se deixa repousar durante meia hora.

Forra-se a forma com esta massa. Por cima põem-se as pêras cortadas em quartos e cubra com o creme.

 

Creme

Ingredientes:

50 gr de Manteiga

200 gr de Açúcar

2 Ovos 

Limão

Geleia (opcional)

Preparação:

Junte o açúcar à manteiga amolecida e misture bem. Adicione os dois ovos e umas gotas de sumo de limão e continue a bater até estar bem ligado.

Deite esta mistura sobre as pêras e leve a cozer em forno médio, entre 40 a 50 minutos.

Depois de cozida se o desejar pode pincelar com a geléia.

 

Nota:

Aconselho que use uma forma com o fundo desmontável. Quando a tarte começar a ficar dourada, pode tapar com papel de alúmino, para que continue a cozer mas sem tostar demasiado a superfície.

Vamos comemorar!

Passaram quase três meses e cheguei aos dois mil visitantes.

No dia em que em resposta às sugestões de colegas e amigas decidi tentar criar um blog sobre cozinha apenas pensei no trabalho que iria dar e como iria manter isto mais ou menos dinâmico.

Ainda estamos no principio do caminho que pode ser curto ou longo, só o tempo o dirá. De qualquer forma como dizia o poeta António Machado, "Caminante, no hay camino  se hace camino al andar." (extracto de provérbios e cantares, XXIX).

Para comemorar deixo a receita de um bolo que me andava a pairar na cabeça há algum tempo.

Espero que gostem!

 

Bolo de Chocolate e Laranja Amarga

Ingredientes:

125 g de Manteiga sem Sal

100 g de Pepitas de Chocolate

175 g de Açúcar

200 g de Farinha (com fermento)

1 Colher de Chá de Fermento

4 Ovos

Doce de Laranja Amarga

Preparação:

Bata o açúcar com a manteiga amolecida, até obter uma massa arenosa.  Adicione os ovos batendo sempre. Por último junte a farinha  o fermento e as pepitas de chocolate. 

Verta o conteúdo numa forma untada com manteiga e leve ao forno, pré-aquecido.

Verifique a cozedura com um palito.

Retire do forno, deixe arrefecer um pouco em cima de uma grelha, ainda dentro da forma. Corte ao meio e barre com doce de laranja amarga.

Volte a colocar as duas partes do bolo uma sobre a outra e cubra com uma ganache de chocolate e baileys.

Decore com laranja cristalizada.

 

Ganache de Chocolate

Ingredientes:

200g Chocolate Culinário

100ml Nata para Bater

100ml Baileys Orange Truffle

Pitada de Sal Marinho

15g Manteiga sem Sal

Preparação:

Derreta o chocolate em banho maria. Ferva o Baileys, a nata e o sal. Misture com o chocolate mexendo bem para que não fiquem grumos. 

Espere uns minutos, mexendo bem, até que tenha a consistência adequada para decorar o bolo.

Uma sobremesa com menos calorias que alguns gelados.

Resolvi experimentar o tipo de sobremesa que está um pouco na moda. Juntar ingredientes preparados  e compor um doce ao nosso gosto.

Como base as bolachas digestivas de aveia. aconselho umas bolachas boas, mas vejam também a quantidade de calorias, já que variam e muito de marca para marca. Yogurte grego, porque é mais cremoso, se bem que também podem optar pela verão desnatada, e por último uma fruta madura ou uma compota. Neste caso usei figos bem madurinhos.

Ora bem, tendo em conta que cada bolacha tem 65 calorias, cada cem gramas de iogurte 121 calorias ao que temos que somar a fruta não me parece que seja demasiado. 

Delicia Light

Ingredientes:

2 Bolachas Digestiva

3 Colheres de Sopa de Iogurte Grego

1 Figo

Crocante de Amêndoa

Xarope de Acer

Preparação:

Parta de forma grosseira as bolachas e coloque no fundo do copo ou taça. Cubra com o iogurte. Descasque o figo, parta em quatro e coloque por cima. Ponha um pouco de iogurte para decorar.

Opcional:

Regue com xarope de ácer para dar brilho e com um pouco de crocante de amêndoa.

Os figos e as nozes

Parecem companheiros inseparáveis! No começo só me recordava dos "casamentos", como chamam no Alentejo às passas de figo com nozes descascadas dentro e típicas dos "Santos". Mas depois começamos a pensar e então aquele doce de figo e noz? Ou o bolo de figo e noz, ou ainda pão de figo e noz, etc., etc.

Ora mais uma vez um começar e não acabar. Como as experiencias que estou a fazer tentando descobrir combinações possíveis agora que estamos na época dos figos.

Aqui fica pois mais uma sugestão. O folhado de figo e noz com vinagre balsâmico e gelado de baunilha. Tenho que dizer que o vinagre dá um toque agradável ao conjunto.

Folhado de Figo com Noz com Vinagre Bálsamico

Ingredientes:

6 Figos Maduros

Massa Folhada

3 / 4 Nozes

Vinagre Balsâmico

Gelado de Baunilha

Preparação:

Descasque os figos e reserve.

Descasque as nozes e parta de forma grosseira.

Corte quadrados de massa folhada de tamanho suficiente para colocar o figo e poder ainda fazer pequenas dobras com a massa. Fica como uma espécie de cestinho. Se preferir faça apenas uma marca com a faca nos quatro lados da massa, a cerca de um a um e meio centímetros da margem.

Aconselho que retire a massa do frio só quando a for utilizar, pois com o calor é mais complicada de manipular.

Coloque o figo no meio da massa, faça as dobras deixando o fico como dentro de um cestinho. 

Corte o topo do figo em cruz e abra um pouco. Preencha com algumas nozes partidas.

Deite um fio de vinagre balsâmico e leve ao forno até a massa estar cozida.

Retire, coloque num pratinho e sirva ainda quente acompanhado de uma bola de gelado de baunilha.

As frutas da primavera.

Agora que a primavera chegou dispomos de mais fruta de todos os tipos e sabores. Mas muitas vezes apesar do aspeto tentador o sabor não corresponde! Começamos  o período em que podemos repor algumas compotas e conservas de frutas ou vegetais na nossa despensa. Poucas coisas são tão simples e agradaveis como um yogurte natural com uma colher de compota caseira. Vou repescar nas minhas receitas e como a formiga começar a preparar o inverno.

Esta receita é simples já que utiliza massa folhada  e um doce de compra ou uma compota caseira. Neste caso optei pela de casca de melancia com coco e cravinho, tem um sabor agradável, para além de que, como costumo fazer nas minhas compotas, reduzi um pouco a quantidade de açúcar ao fazer a mesma.

A escolha da meloa, aconteceu porque fui à fruta e acabei por comprar estas. A redução de vinho do Porto tem a ver com a primeira vez que comi meloa, que não apreciava e a serviram  com um pouco de vinho do Porto no centro.

A ideia de fazer o xarope para dar brilho à tarte com o Agave deve-se ao facto de  um dia destes por engano ter comprado um frasco de Xarope de Agave. Sendo este um adoçante natural decidi experimentar e tenho que reconhecer que ficou muito agradável. O Agave é uma espécie de cacto e no Mexico era considerado uma planta sagrada que servia para limpar o corpo e a alma. No entanto cuidado! Como acontece com outros adoçantes, nem tudo o que luz é ouro. O seu consumo regular pode danificar entre outras coisas o figado. Portanto moderação. 

Em resumo, uma sobremesa rápida, com produtos simples e baratos!

Tarte folhada de meloa

 

Ingredientes:

1 placa de massa folhada de compra

Doce de casca de melancia com coco e cravinho

1 meloa

100 ml de vinho do porto

100 ml de xarope de Agave

 

Preparação:

 

Comece por estender a massa folhada em cima de uma folha de papel vegetal. Com uma faca, faça uma pequena incisão à volta, (como se estivesse a desenhar uma esquadria).

Espalhe dentro desse espaço que criou uma boa camada de doce de casca de melancia, ou outro a seu gosto.

Descasque a meloa corte em fatias e bocados mais pequenos. Distribua em cima do doce, cobrindo mais ou menos o espaço.

Leve ao forno cerca de meia hora, o tempo de cozedura depende de forno para forno.

Quando a massa folhada estiver cozida apague o forno.

Entretanto faça uma redução de vinho do Porto com o xarope de Agave.

Quando a mistura  atingir  ponto de pérola, apague.

Pincele  com essa mistura deixe arrefecer e está pronto a servir.

Experimente acompanhar com uma bola de gelado de baunilha.

 

Nota: Se preferir pode fazer o xarope com vinho do porto açucar, sendo aproximadamente 80 gr de açucar. Da mesma maneira pode optar por substituir a compota por outra assim como a fruta que vai cobrir a mesma.

 

Suspiro ou merengue?

As origens deste doce levantam algumas dúvidas. Para ser franco nunca tinha sequer pensado no assunto. Numa pesquisa rápida encontramos que alguns apontam para uma possivel criação no século XVIII, outros no século XIX. Esta última de acordo com o o dicionário Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, onde o datam de 1881.

Quem o terá criado? Mais uma vez as opiniões divergem, uns apontam o  começo do século XVIII e o pasteleiro suíço, Gasparini, oriundo da comuna de Meiringen. Aí terá origem a palavra merengue. Outras  fontes referem para umas freiras italianas... Certo é que há três formas de fazer o merengue, o suiço, o italiano e o francês. 

Dessas três versões aquela a que estamos acostumados é o merengue francês, a mais simples onde básicamente batemos as claras em castelo e juntamos açúcar e vai ao forno a cozer.

A versão italiana é feita com o açúcar em calda a uma temperatura que não deve exceder os 115º C e que é depois adicionada em fio às claras em castelo batendo sempre até incorporar completamente. Este merengue não precisa de outras cozeduras adicionais, e é muito utilizado para decoração de bolos ou doces ou nos Petit Macaron. (O meu calcanhar de Aquiles). Podemos eventualmente dar-lhe um toque de cor com um maçarico de culinária.

Por último temos o merengue suiço.

Esta receita foi criada en Paris pelo chef Louis Trutte da pastelería Piche el Thomas Magnan, e durante muitos anos foi mantida em segredo.

Este por sua vez é feito em banho-maria. Ou seja, numa taça que está em banho-maria, colocamos as claras e o açúcar, mexemos até que se misture bem e quando atinge os 60º C retiramos deixamos arrefecer completamente e finalmente batemos até conseguir o merengue.

Na receita que se segue utilizei a técnica do merengue francês. Depois de procurar e tentar com diferentes quantidades optei por estas que me parecem adequadas. Se por ventura gostarem mais doce ou com mais sabor a café é só alterar um pouco as quantidades a gosto.

Bom apetite!

Merengue ou suspiro de café.

Ingredientes:

12 claras de ovo

600 gr. de Icing Sugar

1 pitada de sal 

20 gr. de café soluvel descafeinado

Comece por bater as claras em castelo, préviamente deite uma pitada de sal ou umas gotas de sumo de limão para que as claras façam um ponto de castelo bem firme. Adicione a pouco e pouco o açúcar mexendo sempre. Por último coloque o café e misture até se integrar completamente. 

Quando o merengue estiver brilhante e fizer pequenos bicos está pronto.

Coloque numa manga pasteleira onde aplicou um bico largo, (dependendo do tamanho do suspiro que pretende fazer), e preencha  as forminhas de papel.

Se preferir coloque directamente em cima de uma folha de papel vegetal.

Leve ao forno a uma temperatura de aproximadamente 150º C. Se não for possivel controlar assim a temperatura do seu forno deixe a porta do forno ligeiramente entreaberta colocando uma colher de pau ou algo que impeça que feche completamente. Recomendo se o seu termostato não funciona ou não tem que compre um termostato para fornos, são baratos e fiáveis.

Demora aproximadamente uma hora ou pouco mais, dependendo do tamanho dos suspiros. No meu caso demorou entre quarenta e sessenta minutos.

Finalmente apague o forno e deixe os suspiros arrefecer e aí sim ficarão mais duros por fora.

 

Nota: se optar por utilizar açúcar cristal, terá que bater um pouco mais o merengue para que se integre bem nas claras.

 

 

 

A beterraba.

Um dia destes encontrei no supermercado umas beterrabas cozidas e embaladas no vácuo. Não pensei duas vezes e decidi comprar, esta poderia ser a minha oportunidade de experimentar a fazer um bolo vermelhinho como já vira alguma vez.  O problema como viria a ver depois é que eu estava a confundir-me com o Bolo Red Velvet, esse sim com uma bonita cor vermelha mas através de corantes alimentares.

Ora aí começou a busca. Certamente haveria alguma receita doce que se poderia fazer com a beterraba. E efectivamente não foi preciso muito tempo para encontrar alguma. A questão era, e qual escolher? Acabei por ficar com uma de beterraba e cacau, que em abono da verdade é muito simples e devo dizer que ficou muito boa.

A beterraba é um tuberculo, (neste ponto náo posso dar certezas já que muitas outras fontes a apontam como uma raiz). Existem dois tipos, a branca de onde se extrai o açucar, (o que a tornou muito popular no século XIX) e a vermelha que é a que utilizamos na nossa alimentação.

É uma planta  oriunda de climas temperados, Europa e África. Acredita-se que já os romanos a consumiriam. Uma das vantagens da beterraba é que é pouco calórica assim como a quantidade que possui de ferro e magnesio, minerais importantes para o organismo.

Bolo de Beterraba e Cacau

Ingredientes:

Humidos

55 ml. (1/4 chávena) de óleo alimentar

120 gr. (1/3 chávena  mais  uma colher de  sopa) de puré de beterraba

130 ml. (1/2 chávena  mais duas colheres de sopa) de água

140 gr. (1/2  chávena mais duas colheres de sopa) de açucar

1/2 vagem de baunilla, (só as sementes)

 

Secos

195 gr. (1+1/4 chávena) de farinha para bolos

45 gr. (1/3 chávena mais uma colher de sopa) de cacau

•1/2 chávena de chá de fermento

•1/2  chávena de chá de bicarbonato de sosa

•1/4  chávena de chá de sal

•1/2 colher de chá de vinagre de maçã

 

Para o glacé de framboesa

Aproximadamente duas colheres de sopa de framboesas congeladas e água qb. 

Aproximadamente 3/4 chávena de açúcar fino.

Preparação:

Aqueça o forno a 170 graus. Unte uma forma desmontavel de 18 cm aproximadamente.

Misture o açúcar com os ingredientes húmidos e mexa até que o açúcar esteja completamente desfeito. Junte as sementes de meia vagem de baunilha.

Misture os ingredientes secos e peneire para que não fique granuloso. 

Adicione cerca de um terço dos ingredientes secos aos humidos misturando bem. Repita a operação mais duas vezes. (Cuidado não bata demasiado a mistura). Finalmente junte o vinagre de maçã e mexa.

Leve ao forno para cozer durante trinta a trinta e cinco minutos aproximadamente., Faça o teste do palito, (se este sair seco retire do forno).

Deixe arrefecer durante cerca de quinze minutos dentro da forma.

Decoração:

Para fazer o glacé, misture o sumo de framboesa e a água. Junte o açúcar necessário até que o o glacé esteja espesso mas ainda se possa verter. (A quantidade de água e de sumo de depende da cor que pretender.

Quando o bolo estiver frio, coloque o bolo num prato e cubra com o glacé.

Pessoalmente fiz o meu glacé ou xarope com groselhas e utilizei cerca de cento e cinquenta gramas de groselhas, que espremi e passei pelo coador, cem mililitros de água e cem gramas de açucar.

 

 

Origem do Sericá

As origens do Sericá ou Sericaia não são claras. Elvas e Vila Viçosa reclamam a sua autoria respectivamente os conventos das Clarissas e o convento das Chagas. Segundo Virgilio Nogueiro Gomes, no seu livro, "Dicionário Prático da Cozinha  Portuguesa" a  diferença nos nomes,  terá surgido a meados do século XX, quando adoptaram o nome Sericaia.

O que é um facto é que este é um doce tipicamente alentejano, se bem que mais caracteristico desta zona. Está muito na moda o tipico Sericaia com a Ameixa de Elvas, um fruto em calda extremamente doce. Pessoalmente prefiro o Sericá sem o dito. Quanto a mim a ameixa é demasiado doce e anula um pouco o sabor do Sericá.

Também tenho uma certa curiosidade na origem desta parceria Ameixa e Sericá. Será uma questão de fazer uma pesquisa.

Uma coisa é certa só por si esta sobremesa é uma delicia. Há no entanto outros doces tipicamente portugueses de outras regiões que têm alguma semelhança em termos de paladar se bem que com consistencias diferentes.

 

Sericá

Ingredientes:

9 ovos
325 gr. de açúcar
75 gr. de farinha
7,5 dl. de leite
Canela
Margarina ou manteiga

Preparação:

Comece por misturar numa taça as gemas com o açúcar batendo bem. Seguidamente adicione alternando e sem parar de mexer o leite e a farinha.

Leve a lume brando mexendo sempre até engrossar. Procure fazer ponto de estrada.

Retire do lume, e mexa até arrefecer.

Seguidamente, bata as claras em castelo bem firme. Adicione ao preparado integrando mas sem mexer demasiado para que as claras não percam o ar.

Unte um prato que possa ir ao forno, com margarina ou manteiga e coloque o preparado no prato.

Coloque às colheradas, começando do centro para o exterior do prato.

Polvilhe com canela e leve ao forno até que esteja dourado.

Irá ver que o Sericá irá abrir sozinho as típicas rachas.

O tempo de cozedura depende da temperatura do forno, mas pelo menos no meu nunca abaixo dos 250 graus.